terça-feira, 6 de maio de 2014

Re(des)construindo.

- Oi?
- Oi? Oi? Oi? Oi?...
- ... Na próxima vez não vou usar a entonação de pergunta, assim quem sabe ganho uma resposta...
- osta osta osta osta gosta?
- hm?
- mmmm?
- Yep, estou enlouquecendo.
- endo endo endo esquecendo,
- Pare, por favor
- amor amor amor amor

Havia construído uma mente bem grande: teto alto, salas amplas... Cheia de espaço para as lembranças que tinha. No entanto quando precisou se desfazer delas tudo se encheu de eco e reverberação, ção, ção ção...
Precisava de ação, por isso assistia filmes. Fazia muito sentido que fosse assim,

Quando chegava o fim do dia procurava não se enganar. Voltava pra casa, tomava um banho, colocava o pijama e ia assistir algum filme. Filmes não faziam eco. Filmes provocavam aquele silêncio bem quisto. Assistia filmes enquanto comia algo quente e até o coração parecia ficar aliviado. Num comentário a parte, digo que uma das verdades mais dolorosas é que a vida não é como um filme. Sei que é logico e claro como a água, mas cada vez que lembramos disso dói como uma fisgadinha de leve no fundo do peito, daquelas que deixa só a sensação de incômodo pra disfarçar o  vazio.

Mantinha a calma, estava tudo bem. Tinha feito tudo que podia e agora era só questão de se acostumar com o eco, então procurou fazer dele um amigo e com o tempo até trocou os filmes. Não ia fugir. Aos poucos reparou que conseguia tomar atitudes como se elas estivessem em taças, servidas e bem na sua frente. Não tinha mais medo, só se espantava cada vez que o pijama ficava mais curto. Estava crescendo, e assim foi: crescendo.
Até que um dia já não tinha mais espaço, então tratou de construir uma mente maior.
E construiu. 

11 comentários:

Anônimo disse...

Nem acreditei quando recebi o aviso no meu email, juro que escorreram lágrimas.

SENTIMOS SAUDADES!

Anônimo disse...

guria, adoro as comparações que você faz pq elas são tão simples e ao mesmo tempo tão inusitadas

Thamara Liz: disse...

Uma saudade: comentaristas anônimos.

De verdade, fico até em dúvida as vezes. Descobrir a identidade de cada um de vocês seria como desvendar um mistério de mil anos, mas acabaria com parte da mágica. Prometam que antes de eu morrer vocês me contam, ok?
Só espero poder recuperar todos os seguidores anônimos dos bons tempos de pequeno momiji (quando eu publicava com frequencia). Adorava receber emails de contas falsas e de ver vocês interagindo na caixa de comentários.

E ficam tranquilos,lição aprendida.

Anônimo disse...

queria dizer saudades, mas tem tanto pra dizer do seu texto. Daí pensei...

Thamara Liz: disse...

pensou que saudades definia bem =)

Define.

Anônimo disse...

fico feliz e triste com isso pois por um lado é bom que você volte mas o motivo que te fez votar eh ruim
mas eu que estou acompanhando bem posso dizer que eh mais triste pra ele que pra você que foi sincera e discreta em relação ao que estava acontecendo, nao se engane

dava pra ver que por tras você sempre segurou a barra com o claudio por isso que fico com pena. Espero que meu amigo pare de se enganar, nao tenha mais medo e va atras de quem cuida dele logo.

voces estao jogando algo muito verdadeiro fora soh por teimosia, pose e medo. Tomara que aprenda tambem

Vovô Tanaka disse...

Que bom que você voltou, meus netinhos não aguentavam mais a abstinência dos seus textos. Veja se não nos larga mais desse jeito, nada é melhor que colocar um pijaminha, um gato no colo, um chá quentinho e um texto novo seu pra ler.

O Bardo disse...

Pela nostalgia!

Anônimo disse...

Adoro seus textos, mas não importa o quanto eu goste deles sempre acho que os títulos que você escolhe são um poema a parte.

Anônimo disse...

Adoro seus textos, mas não importa o quanto eu goste deles sempre acho que os títulos que você escolhe são um poema a parte.

Anônimo disse...

O mundo-sem-nome é tão pequeno que o sopro de um lado, faz a ventania do outro... Aí vem aquele furação e desenterra a gente mesmo, e todos caracóis que já moravam sobre nós caem.

Alonga o braço direito. Alonga a perna esquerda, olha para um lado, para o outro e começa a caminhar.

Tem aquelas paradas, em que a gente senta na areia amarelada, em repara no eterno crepúsculo de um sol alaranjado, e joga um punhado de areia em cima de um monte - um punhado por ano? Ou por século. Um punhado, outro punhado. Quando um punhado se torna mesmo uma montanha?

Droga, tanta areia... onde deixei minha chave da ignição... ?