sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O que? A capitã Nevada James esta falando de amor?!

AAAAAAAAAAAARGH! – Gritou Gregory enquanto fazia o favor de quebrar tudo que estava sobre o piano da capitã, ação pela qual ele pagaria um preço caro mais tarde –Tragam já aquela bola felpuda idiota, aposto meu rum que é tudo culpa dele. E avisem o cozinheiro que afie bem as facas! Teremos carne pro jantar quando eu acabar com ele.

O névoa pretendia zarpar ainda naquele dia mas não pôde, não com a Capitã enferma. Nevada passará a ultima semana se aventurando durante as noites de inverno e, sempre descuidada com seu corpo, apanhara um resfriado. Estava de cama já a dois dias e agora, fosse pela febre, fosse pelos passeios noturnos com Momiji que geraram a febre, falava sobre algo que antes ninguém, a não ser sua espada, a ouvira falar.

Gregory estava certo, a culpa era, no fim, de Momiji. Ele poderia matar aquele contador de historias com as próprias mãos e de uma maneira muito rápida e dolorosa. Mas por quê? Ele nunca teria a resposta pois nunca admitiria sentir ciúmes. Ele nunca poderia, não tinha força pra tanto e as que possuía estavam sendo usadas para manter seu orgulho. Ele se esforçara ao máximo mas não era páreo para aquela explosão de sentimentos. Então teve que mandar buscar ajuda, do seu jeito.

Dois marujos corpulentos, recrutados recentemente, voltaram em uma hora com Momiji preso entre eles. Gregory estava sentado na poltrona imediatamente ao lado da Capitã e a olhava como um predador para sua presa. O marujo mais baixo e magro, mas ainda assim mais corajoso, limpou a garganta para quebrar o transe.

Quietos! – Gregory sussurrou alto – Escutem, seus boçais!

A Capitã falava de coisas doces e meigas. A Capitã! Quem imaginaria cena assim? Quem, sabendo seus feitos, teria coragem de dizer que algum dia ouviu palavras tão suaves saindo daquela boca bem desenhada? A tripulação estava desesperada mas ainda assim concordava, em silencio, que aquilo era como ver uma linda e ainda desconhecida espécie de flor, mas certamente alguma da família dos lírios, desabrochar com força e beleza. Era tão bonito que dava medo.

...e é assim –a capitã continuou, Momiji desejava ter chego antes – que eu acho que o amor entre dois indivíduos deve funcionar. Como a espada e o escudo de um mesmo gladiador, que são duas partes diferentes. O senhor vê, são opostos. O escudo faz a defesa, a espada parte em ataque. Ainda assim nada se completa melhor que eles, pois há vezes que a melhor defesa é o ataque e há vezes que o melhor ataque é a defesa. – Aqui houve uma pausa tão profunda e que parecia dizer tanto que se eu não a citasse correria o risco de pintar um quadro diferente do original. – Assim... assim eles lutam juntos, lado a lado, por um mesmo bem. Tão iguais...tão diferentes... – e caiu no sono.

Momiji riu um rio de lagrimas. – Ela fala de amor usando toda a sua peculiaridade e intensidade, não deve nem sonhar com o quanto isso pode ser cruel. – E aqui virou-se para o resto da plateia – Acalmem-se. Sua Capitã esta em juízo perfeito, não conseguem ver? A febre a fez pensar alto, só isso. Acalmem-se, homens , vamos! -Não há necessidade de apontar a espada pra mim, senhor, não estou ordenando calma- Eu cuidarei do resfriado da capitã e se amanhã ela não estiver melhor...bom, que Deus me ajude!

Saíram todos com muito respeito, inicialmente, pois estavam nos aposentos de uma Capitã, mas uma vez já no convés recomeçaram a balburdia e a cantoria. O Névoa estava recuperando sua pirataria e isso só podia significar que a Capitã estava recuperando sua força e vitalidade. Ela era a alma do Nevoa, afinal.

Assim que se viu só ao lado da Nevada, Momiji se deixou cair na poltrona, exausto.

-Quando se trata de historias românticas, capitã, a senhorita parece ser muito mais apropriada do que esse velho contador de historias, não é mesmo?

E caiu no riso. Gregory, com o ouvido colado na porta, correu a mão pra espada mas parou a tempo. Deu as costas à porta e saiu batendo o pé.

-Há, ela acredita mesmo que essa bola de pelos desvairada é boa o suficiente pra cuidar dela?




Quando eu era pequena e a Capitã Nevada James não era nada além da minha amiga imaginaria, eu costumava vê-la como a minha espada, pois ela sempre ia a luta por mim e eu me jogaria na frente de qualquer canhão pra protege-la.

Ora ora, Thamara, você sempre foi do tipo escudo, não foi? – Diria a Capitã Nevada se estivesse aqui.