Apaixonada por frequentar um cômodo, pedi a um amigo, exímio desenhista, que assistisse a uma aula de literatura e desenhasse meu professor. Passou-se a aula ao som de lápis correndo, de traços certeiros, belo e suave sombreamento. Ele fez um desenho preciso.
Aquele não era o meu professor, podia ser o do menino sentado ao meu lado mas meu não era! Faltava naquela folha algo e não era coisa pouca! Faltava algo pouco maior que uma imensidão.
Fui ingênua, confesso, quando, insistindo na aposta de erro certo, trouxe um artista renomado para reproduzir aquela infinidade. Pobre moço. Depois dele vieram outros, um erro após o outro, e eu me compadeci.
Pobre humanidade! Muito me apiedo. Não vêem como vejo. Nunca que vão ser capazes de sentir esse exato sentimento. Podem sentir parecidos, melhores ou piores, mas nunca o mesmo sentimento. Pobres de vocês que não enxergam no meu professor o mesmo que eu... só me pergunto como podem? Existe mesmo nesse mundo algo mais pra se olhar?
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
E direto da sala do DIRGRAD - Construção da Quadrilha de Drummond.
E então apoiou a cabeça na mão, sentada naquela sala vazia, e tratou de tentar acalmar o que não dava. Chegou ali como?
Sentada no escuro encarava o teto, mirava diretamente a lâmpada acessa. A luz não dava conta e tudo estava cheio de um vazio que ecoava nas paredes que agora nem tinta tinham. Era tijolo aquilo mesmo?
Era um tijolo laranja comum, como se podia ver claramente por trás da mascara de tinta que usava, sendo assim tinha um “quê” de humano. O tijolo laranja era assim como todos os outros feitos com ele e tinha seus seis buracos devidamente preenchidos com cimento, o que lhe tirava a sensação de vazio que tinha a menina.
A menina não tinha cimento. O cimento foi todo usado pra levantar o resto. O cimento gostava de tomar todo o espaço que cabia a ele, era meio possessivo. Na obra o chamavam de “ciumento”. A piada e o cimento foram feitos, e bem feitos, pelo servente de pedreiro que mexia a massa pra deixar tudo uniforme enquanto mexia com as meninas em seus trajes de ir pra escola.
As meninas em seus trajes escolares que riam do ciumento cimento não sabiam nada sobre a falta que o vazio provoca porque, não fisicamente, eram tão novas que nem tinham manchas no que chamavam de coração. Uma delas tinha mancha só naquilo que usava pra ir pra escola, aquilo que o servente de pedreiro (que mexia o cimento que completava o tijolo da sala da menina vazia) achava bonito. Pra mãe não brigar não tinha outro jeito.
O removedor de manchas comprado no mercado e escondido com tanta vergonha na mala não entendia a razão daquilo. Ele era de ótima qualidade e tinha certo orgulho de seu elevado valor financeiro. Achava que deveria era ser carregado em braços abertos pra todo mundo admirar sua beleza e eficiência. Particularmente, o removedor achava uma perda muito grande que ninguém mais aplaudisse sua coloração rosada.
Rosada era a cor da flor que morava na janela de uma sala que, pra flor, era linda e cheia de vida. A flor rosada ficava até corada quando dava uma boa olhada naquilo tudo. Existia lá uma parede tão firme e forte que sempre a protegia do vento e de outros perigos e o sol inundava o lugar e o deixava plenamente iluminado. Mas o mais bonito eram aqueles braços brancos que refletiam a luz e, as vezes, molhavam a flor. Aqueles braços que agora pareciam ter a força pra carregar o mundo mas na verdade só carregavam uma cabeça que a flor, muito feliz, viu ser rosada como a dela quando a menina levantou e caminhou em sua direção. Que momento de alegria experimentou a flor!Ia durar pra sempre até que caiu.
A flor morreu devido ao suicídio forçoso que cometeu ao ser jogada do 27° andar, junto com uma menina de rosto rosado que de tão vazia só deixava mostrar a marca vermelha gravada no rosto por ter ficado muito tempo com a cabeça apoiada nas mãos.
A sepultura da menina foi fechada por um servente de pedreiro conhecido da família que precisava de dinheiro e que lidava muito bem com isso de tijolos e cimento.
A flor secou na rua e ficaria lá pra sempre se não tivesse se prendido no solado do tênis de uma menina que usava um uniforme branquinho de tão limpo.
Sentada no escuro encarava o teto, mirava diretamente a lâmpada acessa. A luz não dava conta e tudo estava cheio de um vazio que ecoava nas paredes que agora nem tinta tinham. Era tijolo aquilo mesmo?
Era um tijolo laranja comum, como se podia ver claramente por trás da mascara de tinta que usava, sendo assim tinha um “quê” de humano. O tijolo laranja era assim como todos os outros feitos com ele e tinha seus seis buracos devidamente preenchidos com cimento, o que lhe tirava a sensação de vazio que tinha a menina.
A menina não tinha cimento. O cimento foi todo usado pra levantar o resto. O cimento gostava de tomar todo o espaço que cabia a ele, era meio possessivo. Na obra o chamavam de “ciumento”. A piada e o cimento foram feitos, e bem feitos, pelo servente de pedreiro que mexia a massa pra deixar tudo uniforme enquanto mexia com as meninas em seus trajes de ir pra escola.
As meninas em seus trajes escolares que riam do ciumento cimento não sabiam nada sobre a falta que o vazio provoca porque, não fisicamente, eram tão novas que nem tinham manchas no que chamavam de coração. Uma delas tinha mancha só naquilo que usava pra ir pra escola, aquilo que o servente de pedreiro (que mexia o cimento que completava o tijolo da sala da menina vazia) achava bonito. Pra mãe não brigar não tinha outro jeito.
O removedor de manchas comprado no mercado e escondido com tanta vergonha na mala não entendia a razão daquilo. Ele era de ótima qualidade e tinha certo orgulho de seu elevado valor financeiro. Achava que deveria era ser carregado em braços abertos pra todo mundo admirar sua beleza e eficiência. Particularmente, o removedor achava uma perda muito grande que ninguém mais aplaudisse sua coloração rosada.
Rosada era a cor da flor que morava na janela de uma sala que, pra flor, era linda e cheia de vida. A flor rosada ficava até corada quando dava uma boa olhada naquilo tudo. Existia lá uma parede tão firme e forte que sempre a protegia do vento e de outros perigos e o sol inundava o lugar e o deixava plenamente iluminado. Mas o mais bonito eram aqueles braços brancos que refletiam a luz e, as vezes, molhavam a flor. Aqueles braços que agora pareciam ter a força pra carregar o mundo mas na verdade só carregavam uma cabeça que a flor, muito feliz, viu ser rosada como a dela quando a menina levantou e caminhou em sua direção. Que momento de alegria experimentou a flor!Ia durar pra sempre até que caiu.
A flor morreu devido ao suicídio forçoso que cometeu ao ser jogada do 27° andar, junto com uma menina de rosto rosado que de tão vazia só deixava mostrar a marca vermelha gravada no rosto por ter ficado muito tempo com a cabeça apoiada nas mãos.
A sepultura da menina foi fechada por um servente de pedreiro conhecido da família que precisava de dinheiro e que lidava muito bem com isso de tijolos e cimento.
A flor secou na rua e ficaria lá pra sempre se não tivesse se prendido no solado do tênis de uma menina que usava um uniforme branquinho de tão limpo.
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