segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Na falta de um, que venham dois!

ATENÇÃO: NÃO DEIXEM DE LER A NOTA AO FINAL DOS TEXTOS!

TEXTO1 (11/11/2011)
A princípio parecia que ia durar pouco...
- Esse negócio de sentimento - disse cheia de olhares fundos e perdidos - esse negócio de sentimentos é...perigoso.
É que parecia que ia durar tão pouco!
Não, sem desculpas.

Queria que meus pais fossem mais seletivos quanto a proteção que me ofertaram. Me protegeram de tanta coisa! Nunca quebrei um osso sequer...Alias, proteção? Isso era proteção mesmo? Ossos calcificam! Cortes cicatrizam! Dentes são fáceis de remendar!
Mas, mãe, a senhora não disse essas coisas de coração.

Quando criança eu adorava brincar de atravessar a casa, em tempos de festa com os cômodos cheios, sem que ninguem me avistasse. Mais do que isso, eu gostava de entrar no pequeno momento de vida de cada um sem ser notada.

Vó estava cozinhando, colocava canela na carne. Eu roubava a canela.
Tia estava fazendo uma ligação. Eu corria pegar a outra linha.
Primas arrumavam-se no quarto. Eu misturava a maquiagem delas.
Mãe me puxava pela orela.
- O que você acha que esta fazendo andando por ai atras dos outros? Não ache que não estão te vendo. Se você não quer ser vista seja mais cautelosa!- saia rindo e me deixava com os olhos molhados e a orelha quente.

Pois é
Quando eu me propus a atravessar minha casa, um lugar seguro, enganando somente aos meus parentes, pobres leigos presos lascivamente na losna de sua lentidão, meus pais me pararam e me alertaram: seja cautelosa, estão te vendo. Como me deixaram crendo que aprendi bem, hoje resolvi que atravessaria...mas que nome você decidiu que daríamos pra isso mesmo?

Sou tão miúda e ainda assim resolvi desafiar algo tão grande. LOGO EU! Boba na minha prepotência, ri. E rindo abri a porta convencida a atravessar. Para isso, usei das desculpas mais diversas: "Não será nada", "sou eu, consigo fazer isso e sair sem ser notada, intacta", "é só por diversão".
Ha.

Sentimentos, sabias serpentes silenciosas soltas na sala, e eu a atravessava. Tão diferentes e mais perigosas que a minha família. Mas eu até que lembrei de ser cautelosa, pena que não fui o suficiente.
Me pegaram.
E o veneno começou a correr rápido pelo meu sangue e mais e mais sentimentos notavam minha presença a cada instante. Vinham e me enchiam de veneno

A sala é escura, as serpentes são rápidas. Giro 180° e não encontro o caminho que fiz. Não sei se volto, não sei se sigo. Não sei se, por acaso, não estou andando perpendicularmente ao trajeto entre a entrada e a saída, a meio passo de bater na parede e chamar a atenção de mais serpentes.

Controlo a respiração, não posso fazer barulho. Sento, penso.

Penso?
Prepotente como sempre! Como se qualquer pensar fosse reverter uma situação assim tão fora de meu controle! Fora de controle! Deveria ter entendido isso antes.

Os olhos não se acostumam com o escuro, as serpentes não fazem barulho. Elas sabem onde estou e eu sei nada mais além de que muitas delas agora sou eu. Achei que toda essa travessia duraria tão pouco, mas ela não acaba! E eu já estou tão contaminada que nem sei se quero que...AH DEUS!

Mãe, cadê você pra me puxar pela orelha quando eu preciso?



TEXTO 2 (24/11/2011)

Tocava o relógio, seis da manhã. Verão, pressão baixa. Mais cinco minutos e levantava.
Vestir-se, arrumar-se. Comia, bebiba. Compor-se. Saía.
Aulas, falsos risos. Intervalo, aulas. Almoço, prossigo. Espera, demora.

Não voltava para casa.

E espera e espera. Esperança maldita que não acaba, que prende, que morde, que priva, que tira, que mata, que fica.

Só mais um pouco, um pouco mais. Não vai pra casa, não ainda.

E trabalha e enrola e estuda e espera
e cansa...
e volta pra casa.

O ônibus, a estrada, o caminho, a entrada, o cachorro, a comida, o banho, a conversa, o cansaço, a cama.

Não dorme, pensa. Cansada, sonha. No sonho a rotineira esperança em forma que abraça e beija e acaricia e nina e então dorme. Dormia a ideia para que acordasse o corpo, que se arrastava. Sono?
Procurava o sonho.

E todo dia a mesma coisa e a mesma coisa todo dia que essa dor não acaba não termina não finda.

Se sumisse (a esperança), leria. Se sumisse estudaria, sairia, andaria, cantaria, comporia, escreveria, tocaria... Cabeça livra faz tanto!
Mas será que viveria?
Viveria. Respirar, comer, beber, produzir. Feliz?

Desliga o telefone, desliga tudo. Planeja sumir por 2 dias. Só a menina, a esperança fica. Mais do que fica, vai junto! Prisão domiciliar.

Se acabasse, dessistisse, se morresse.
"Mas você não morre. Você é dura, espera!"
Nem Drummond a consolava mais.
Sozinha no escuro qual bicho do mato, sem teogonia, sem parede nua pra se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope. Você marcha, Thamara. Thamara, pra onde?

Não gosta de caminho estreito ou de gente acomodada então quebra tudo, pois, e sai correndo por outra estrada.
Larga,
não olha pra tras
não perde
não entrega.
Liberta.
Paga a dor a vista que depois faz o que quiser com ele.
E liberta, que não foi ruim, na verdade. Foi bom.
Mas se estendeu até o fim, duvida.
Mas se estendeu até a dúvida, fim.



Nota: como implicam as datas, esses textos foram escritos a um certo tempo atras...nem ontem nem hoje, a um certo tempo atras.
Sei que disse que não passaria de domingo a postagem, peço desculpas por isso. O fato é que escrevi esses dois textos com o mesmo pensar e, se vocês derem uma boa analisada, um se contrapõe ao outro, em todos os níveis.
Se o primeiro começa sem querer e termina querendo, então o outro já começa querendo e e termina sem querer. Não tinha como posta-los separados e a demora veio porque eu perdi o primeiro texto ^^' (ia postar só o segundo, portanto.)
Eu peço desculpas, também, pela qualidade. Eu sei, caiu bastante nas ultimas postagens. Tenho andado com o coração meio desequilibrado e sentimental demais nos últimos dias e isso sempre me afeta negativamente. Mas estou trabalhando em um jeito de canalizar todo esse mar de sentimentos pra que ele não faça tanto estrago.
Drummond é meu preferido.
E vocês, anônimos, já fizeram alguma - e desculpem o termo - merda tão grande mas tão grande que a consequência que ela trouxe nem chegou a ser o problema, que a pior parte tenha sido sim o fato de que você foi idiota o suficiente pra não perceber que fim teria? Como vocês resolveram, se resolveram?
Compartilhem suas experiencias comigo (podem usar nomes falsos caso a descrição da merda envolva outras pessoas que eu conheço).
Obrigada :)
continuem com as mesmas identificações =D

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Relatos sobre uma viagem.

- Você poderia ter ido para Santa Catarina se quisesse, tinha essa opção.

Tinha nada, aquilo era hipocrisia da mãe. Haviam, sim, lhe dito que se não lhe agradasse a ideia de ir pra Guaraqueçaba – e isso lá é nome de cidade? – poderia ir para alguma praia qualquer perdida em Santa Catarina com seu primo. Ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu todos os reinos e riquezas do mundo para Jesus. Era só a menina ter aceito para que fosse iniciada a flagelação de sempre: você não passa tempo com sua mãe e blábláblá. Nem escutava mais.
O que ela queria mesmo era ter ficado em Curitiba, sua cidade tão querida. Tinha trabalhos pra fazer, queria tocar piano, sentia falta do barulho de vida. Agora, tudo que tinha de lá era um texto que relia e relia, cada vez cortando e invertendo mais palavras.



Podia ter ido para Santa Catarina, aquilo era hipocrisia. Até ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu o mundo para Jesus.
Nem escutava mais, queria mesmo ter ficado em Curitiba, tocar piano. Tinha trabalhos pra fazer e um texto que relia e relia cada vez invertendo e cortando mais palavras.



Podia ter ido para alguma praia perdida em Santa Catarina, assim como o Diabo. Jesus nem a escutava mais.
Sentia falta de tocar em Curitiba, tão querida. O piano tinha o barulho de vida que ela relia e relia.



Queria ter ficado em Curitiba, cortando e invertendo palavras.



Curitiba, agora tudo que tinha de lá era mais.


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Ei anônimos lindos, estou super contente com a participação de vocês no blog!
Eu sei que vocês sabem que eu fico feito uma louca pra tentar descobrir quem vocês são, muito porque boa parte - se não forem todos - tem contato direto comigo.
Acho crueldade! Só posso ficar imaginando os senhores rindo por dentro a cada novo comentário que chega.
Mas eu vou tentar aceitar o acordo que vocês propuseram no ultimo post: eu posto mais, vocês comentam e eu tenho mais chances de descobrir suas identidades.
Só peço um favor, coloquem alguma marcação pra que eu possa separar os anônimos. E podem me torturar dando pistas tambem, é o jeito mais fácil de me levar a loucura. A, claro que não preciso dizer que vocês devem usar a mesma marcação sempre, né? Por exemplo, o Sergio poderia ser o anônimo física (ta, não precisa ser obvio assim!) sempre.

Nota sobre o texto: eu realmente passei por isso. Foi terrível. Não, não estou sendo ingrata, não tinha nem energia elétrica no lugar. Tudo que fiz foi dormir e ecrever e reler e reler e reler. Estava cheia de trabalhos mas me apavorar com a ideia de tê-los não resolveria nada então tentei relaxar. O lado positivo é que tem alguns textos novos esperando pra que possam ser publicados.
Tem poemas!!! Eu sou muito pior escrevendo poemas! Mas acho que vou lançar uma série de posts voltados para os poemas - ou seja lá o que aquilo for - que eu já escrevi ao longo da vida, daquele que você estava no meio da aula e quando vê você simplesmente já o escreveu.
Aviso já que eles são bem, bem ruins, mas ao menos carregam bastante sentimento.