- Oi? Oi? Oi? Oi?...
- ... Na próxima vez não vou usar a entonação de pergunta, assim quem sabe ganho uma resposta...
- osta osta osta osta gosta?
- hm?
- mmmm?
- Yep, estou enlouquecendo.
- endo endo endo esquecendo,
- Pare, por favor
- amor amor amor amor
Havia construído uma mente bem grande: teto alto, salas amplas... Cheia de espaço para as lembranças que tinha. No entanto quando precisou se desfazer delas tudo se encheu de eco e reverberação, ção, ção ção...
Precisava de ação, por isso assistia filmes. Fazia muito sentido que fosse assim,
Quando chegava o fim do dia procurava não se enganar. Voltava pra casa, tomava um banho, colocava o pijama e ia assistir algum filme. Filmes não faziam eco. Filmes provocavam aquele silêncio bem quisto. Assistia filmes enquanto comia algo quente e até o coração parecia ficar aliviado. Num comentário a parte, digo que uma das verdades mais dolorosas é que a vida não é como um filme. Sei que é logico e claro como a água, mas cada vez que lembramos disso dói como uma fisgadinha de leve no fundo do peito, daquelas que deixa só a sensação de incômodo pra disfarçar o vazio.
Mantinha a calma, estava tudo bem. Tinha feito tudo que podia e agora era só questão de se acostumar com o eco, então procurou fazer dele um amigo e com o tempo até trocou os filmes. Não ia fugir. Aos poucos reparou que conseguia tomar atitudes como se elas estivessem em taças, servidas e bem na sua frente. Não tinha mais medo, só se espantava cada vez que o pijama ficava mais curto. Estava crescendo, e assim foi: crescendo.
Até que um dia já não tinha mais espaço, então tratou de construir uma mente maior.
E construiu.