ATENÇÃO: NÃO DEIXEM DE LER A NOTA AO FINAL DOS TEXTOS!
TEXTO1 (11/11/2011)
A princípio parecia que ia durar pouco...
- Esse negócio de sentimento - disse cheia de olhares fundos e perdidos - esse negócio de sentimentos é...perigoso.
É que parecia que ia durar tão pouco!
Não, sem desculpas.
Queria que meus pais fossem mais seletivos quanto a proteção que me ofertaram. Me protegeram de tanta coisa! Nunca quebrei um osso sequer...Alias, proteção? Isso era proteção mesmo? Ossos calcificam! Cortes cicatrizam! Dentes são fáceis de remendar!
Mas, mãe, a senhora não disse essas coisas de coração.
Quando criança eu adorava brincar de atravessar a casa, em tempos de festa com os cômodos cheios, sem que ninguem me avistasse. Mais do que isso, eu gostava de entrar no pequeno momento de vida de cada um sem ser notada.
Vó estava cozinhando, colocava canela na carne. Eu roubava a canela.
Tia estava fazendo uma ligação. Eu corria pegar a outra linha.
Primas arrumavam-se no quarto. Eu misturava a maquiagem delas.
Mãe me puxava pela orela.
- O que você acha que esta fazendo andando por ai atras dos outros? Não ache que não estão te vendo. Se você não quer ser vista seja mais cautelosa!- saia rindo e me deixava com os olhos molhados e a orelha quente.
Pois é
Quando eu me propus a atravessar minha casa, um lugar seguro, enganando somente aos meus parentes, pobres leigos presos lascivamente na losna de sua lentidão, meus pais me pararam e me alertaram: seja cautelosa, estão te vendo. Como me deixaram crendo que aprendi bem, hoje resolvi que atravessaria...mas que nome você decidiu que daríamos pra isso mesmo?
Sou tão miúda e ainda assim resolvi desafiar algo tão grande. LOGO EU! Boba na minha prepotência, ri. E rindo abri a porta convencida a atravessar. Para isso, usei das desculpas mais diversas: "Não será nada", "sou eu, consigo fazer isso e sair sem ser notada, intacta", "é só por diversão".
Ha.
Sentimentos, sabias serpentes silenciosas soltas na sala, e eu a atravessava. Tão diferentes e mais perigosas que a minha família. Mas eu até que lembrei de ser cautelosa, pena que não fui o suficiente.
Me pegaram.
E o veneno começou a correr rápido pelo meu sangue e mais e mais sentimentos notavam minha presença a cada instante. Vinham e me enchiam de veneno
A sala é escura, as serpentes são rápidas. Giro 180° e não encontro o caminho que fiz. Não sei se volto, não sei se sigo. Não sei se, por acaso, não estou andando perpendicularmente ao trajeto entre a entrada e a saída, a meio passo de bater na parede e chamar a atenção de mais serpentes.
Controlo a respiração, não posso fazer barulho. Sento, penso.
Penso?
Prepotente como sempre! Como se qualquer pensar fosse reverter uma situação assim tão fora de meu controle! Fora de controle! Deveria ter entendido isso antes.
Os olhos não se acostumam com o escuro, as serpentes não fazem barulho. Elas sabem onde estou e eu sei nada mais além de que muitas delas agora sou eu. Achei que toda essa travessia duraria tão pouco, mas ela não acaba! E eu já estou tão contaminada que nem sei se quero que...AH DEUS!
Mãe, cadê você pra me puxar pela orelha quando eu preciso?
TEXTO 2 (24/11/2011)
Tocava o relógio, seis da manhã. Verão, pressão baixa. Mais cinco minutos e levantava.
Vestir-se, arrumar-se. Comia, bebiba. Compor-se. Saía.
Aulas, falsos risos. Intervalo, aulas. Almoço, prossigo. Espera, demora.
Não voltava para casa.
E espera e espera. Esperança maldita que não acaba, que prende, que morde, que priva, que tira, que mata, que fica.
Só mais um pouco, um pouco mais. Não vai pra casa, não ainda.
E trabalha e enrola e estuda e espera
e cansa...
e volta pra casa.
O ônibus, a estrada, o caminho, a entrada, o cachorro, a comida, o banho, a conversa, o cansaço, a cama.
Não dorme, pensa. Cansada, sonha. No sonho a rotineira esperança em forma que abraça e beija e acaricia e nina e então dorme. Dormia a ideia para que acordasse o corpo, que se arrastava. Sono?
Procurava o sonho.
E todo dia a mesma coisa e a mesma coisa todo dia que essa dor não acaba não termina não finda.
Se sumisse (a esperança), leria. Se sumisse estudaria, sairia, andaria, cantaria, comporia, escreveria, tocaria... Cabeça livra faz tanto!
Mas será que viveria?
Viveria. Respirar, comer, beber, produzir. Feliz?
Desliga o telefone, desliga tudo. Planeja sumir por 2 dias. Só a menina, a esperança fica. Mais do que fica, vai junto! Prisão domiciliar.
Se acabasse, dessistisse, se morresse.
"Mas você não morre. Você é dura, espera!"
Nem Drummond a consolava mais.
Sozinha no escuro qual bicho do mato, sem teogonia, sem parede nua pra se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope. Você marcha, Thamara. Thamara, pra onde?
Não gosta de caminho estreito ou de gente acomodada então quebra tudo, pois, e sai correndo por outra estrada.
Larga,
não olha pra tras
não perde
não entrega.
Liberta.
Paga a dor a vista que depois faz o que quiser com ele.
E liberta, que não foi ruim, na verdade. Foi bom.
Mas se estendeu até o fim, duvida.
Mas se estendeu até a dúvida, fim.
Nota: como implicam as datas, esses textos foram escritos a um certo tempo atras...nem ontem nem hoje, a um certo tempo atras.
Sei que disse que não passaria de domingo a postagem, peço desculpas por isso. O fato é que escrevi esses dois textos com o mesmo pensar e, se vocês derem uma boa analisada, um se contrapõe ao outro, em todos os níveis.
Se o primeiro começa sem querer e termina querendo, então o outro já começa querendo e e termina sem querer. Não tinha como posta-los separados e a demora veio porque eu perdi o primeiro texto ^^' (ia postar só o segundo, portanto.)
Eu peço desculpas, também, pela qualidade. Eu sei, caiu bastante nas ultimas postagens. Tenho andado com o coração meio desequilibrado e sentimental demais nos últimos dias e isso sempre me afeta negativamente. Mas estou trabalhando em um jeito de canalizar todo esse mar de sentimentos pra que ele não faça tanto estrago.
Drummond é meu preferido.
E vocês, anônimos, já fizeram alguma - e desculpem o termo - merda tão grande mas tão grande que a consequência que ela trouxe nem chegou a ser o problema, que a pior parte tenha sido sim o fato de que você foi idiota o suficiente pra não perceber que fim teria? Como vocês resolveram, se resolveram?
Compartilhem suas experiencias comigo (podem usar nomes falsos caso a descrição da merda envolva outras pessoas que eu conheço).
Obrigada :)
continuem com as mesmas identificações =D
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Relatos sobre uma viagem.
- Você poderia ter ido para Santa Catarina se quisesse, tinha essa opção.
Tinha nada, aquilo era hipocrisia da mãe. Haviam, sim, lhe dito que se não lhe agradasse a ideia de ir pra Guaraqueçaba – e isso lá é nome de cidade? – poderia ir para alguma praia qualquer perdida em Santa Catarina com seu primo. Ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu todos os reinos e riquezas do mundo para Jesus. Era só a menina ter aceito para que fosse iniciada a flagelação de sempre: você não passa tempo com sua mãe e blábláblá. Nem escutava mais.
O que ela queria mesmo era ter ficado em Curitiba, sua cidade tão querida. Tinha trabalhos pra fazer, queria tocar piano, sentia falta do barulho de vida. Agora, tudo que tinha de lá era um texto que relia e relia, cada vez cortando e invertendo mais palavras.
Podia ter ido para Santa Catarina, aquilo era hipocrisia. Até ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu o mundo para Jesus.
Nem escutava mais, queria mesmo ter ficado em Curitiba, tocar piano. Tinha trabalhos pra fazer e um texto que relia e relia cada vez invertendo e cortando mais palavras.
Podia ter ido para alguma praia perdida em Santa Catarina, assim como o Diabo. Jesus nem a escutava mais.
Sentia falta de tocar em Curitiba, tão querida. O piano tinha o barulho de vida que ela relia e relia.
Queria ter ficado em Curitiba, cortando e invertendo palavras.
Curitiba, agora tudo que tinha de lá era mais.
____________________________________________
Ei anônimos lindos, estou super contente com a participação de vocês no blog!
Eu sei que vocês sabem que eu fico feito uma louca pra tentar descobrir quem vocês são, muito porque boa parte - se não forem todos - tem contato direto comigo.
Acho crueldade! Só posso ficar imaginando os senhores rindo por dentro a cada novo comentário que chega.
Mas eu vou tentar aceitar o acordo que vocês propuseram no ultimo post: eu posto mais, vocês comentam e eu tenho mais chances de descobrir suas identidades.
Só peço um favor, coloquem alguma marcação pra que eu possa separar os anônimos. E podem me torturar dando pistas tambem, é o jeito mais fácil de me levar a loucura. A, claro que não preciso dizer que vocês devem usar a mesma marcação sempre, né? Por exemplo, o Sergio poderia ser o anônimo física (ta, não precisa ser obvio assim!) sempre.
Nota sobre o texto: eu realmente passei por isso. Foi terrível. Não, não estou sendo ingrata, não tinha nem energia elétrica no lugar. Tudo que fiz foi dormir e ecrever e reler e reler e reler. Estava cheia de trabalhos mas me apavorar com a ideia de tê-los não resolveria nada então tentei relaxar. O lado positivo é que tem alguns textos novos esperando pra que possam ser publicados.
Tem poemas!!! Eu sou muito pior escrevendo poemas! Mas acho que vou lançar uma série de posts voltados para os poemas - ou seja lá o que aquilo for - que eu já escrevi ao longo da vida, daquele que você estava no meio da aula e quando vê você simplesmente já o escreveu.
Aviso já que eles são bem, bem ruins, mas ao menos carregam bastante sentimento.
Tinha nada, aquilo era hipocrisia da mãe. Haviam, sim, lhe dito que se não lhe agradasse a ideia de ir pra Guaraqueçaba – e isso lá é nome de cidade? – poderia ir para alguma praia qualquer perdida em Santa Catarina com seu primo. Ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu todos os reinos e riquezas do mundo para Jesus. Era só a menina ter aceito para que fosse iniciada a flagelação de sempre: você não passa tempo com sua mãe e blábláblá. Nem escutava mais.
O que ela queria mesmo era ter ficado em Curitiba, sua cidade tão querida. Tinha trabalhos pra fazer, queria tocar piano, sentia falta do barulho de vida. Agora, tudo que tinha de lá era um texto que relia e relia, cada vez cortando e invertendo mais palavras.
Podia ter ido para Santa Catarina, aquilo era hipocrisia. Até ofereceram mesmo, assim como o Diabo ofereceu o mundo para Jesus.
Nem escutava mais, queria mesmo ter ficado em Curitiba, tocar piano. Tinha trabalhos pra fazer e um texto que relia e relia cada vez invertendo e cortando mais palavras.
Podia ter ido para alguma praia perdida em Santa Catarina, assim como o Diabo. Jesus nem a escutava mais.
Sentia falta de tocar em Curitiba, tão querida. O piano tinha o barulho de vida que ela relia e relia.
Queria ter ficado em Curitiba, cortando e invertendo palavras.
Curitiba, agora tudo que tinha de lá era mais.
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Ei anônimos lindos, estou super contente com a participação de vocês no blog!
Eu sei que vocês sabem que eu fico feito uma louca pra tentar descobrir quem vocês são, muito porque boa parte - se não forem todos - tem contato direto comigo.
Acho crueldade! Só posso ficar imaginando os senhores rindo por dentro a cada novo comentário que chega.
Mas eu vou tentar aceitar o acordo que vocês propuseram no ultimo post: eu posto mais, vocês comentam e eu tenho mais chances de descobrir suas identidades.
Só peço um favor, coloquem alguma marcação pra que eu possa separar os anônimos. E podem me torturar dando pistas tambem, é o jeito mais fácil de me levar a loucura. A, claro que não preciso dizer que vocês devem usar a mesma marcação sempre, né? Por exemplo, o Sergio poderia ser o anônimo física (ta, não precisa ser obvio assim!) sempre.
Nota sobre o texto: eu realmente passei por isso. Foi terrível. Não, não estou sendo ingrata, não tinha nem energia elétrica no lugar. Tudo que fiz foi dormir e ecrever e reler e reler e reler. Estava cheia de trabalhos mas me apavorar com a ideia de tê-los não resolveria nada então tentei relaxar. O lado positivo é que tem alguns textos novos esperando pra que possam ser publicados.
Tem poemas!!! Eu sou muito pior escrevendo poemas! Mas acho que vou lançar uma série de posts voltados para os poemas - ou seja lá o que aquilo for - que eu já escrevi ao longo da vida, daquele que você estava no meio da aula e quando vê você simplesmente já o escreveu.
Aviso já que eles são bem, bem ruins, mas ao menos carregam bastante sentimento.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
...não, não se pode dizer que foi algo sensato.
No caminho de volta pra casa resolveu, como quem não quer nada, entrar em uma dessas lojas que ficam no caminho de todos. Um pé depois do outro e então os olhos e esses fixaram-se com ardor e força naquilo que instintivamente ela sabia ser seu. Grande amor? Destino? Tanto faz o nome que você escolha usar. O que se leva de importante desse parágrafo é o aperto que a menina da nossa historia sentiu no peito. Era dela, ele não poderia ser de mais ninguém.
Tomada por forte impulso correu e tomou-o no braços. Espanto, surpresa, falta de reação e por fim total reciprocidade. Os sentimentos que emanavam eram indistintos e ainda assim completavam-se perfeitamente e já havia se passado dois intensos minutos quando deixaram a loja colados um ao outro.
Nem uma palavra durante o resto do caminho até a casa dela, eles sabiam bem o que queriam. A menina tinha, já, a respiração ofegante e um sorriso de mais puro prazer nos lábios maliciosos que trazia consigo desde a infância, e as batidas de seu coração só não eram mais rápidas que seus passos mas ainda assim eram frenéticas. Correram casa adentro e foram jogando tudo pelo caminho, até que por fim se jogaram eles mesmos na cama.
Agora tudo parecia sem controle. Ela queria explora-lo cada vez mais fundo e ele a abocanhava sem medos, preocupações ou prevenções. Só existia o presente e nada mais. Problemas futuros, dores passadas? Nada. Havia o presente e todo aquele mundo criado por eles e só entre eles. Repito: nada mais.
E seguiu-se nesse ritmo por dias. As vezes a menina deixava o quarto, ainda que só fisicamente, para buscar comida. A mãe olhava desolada para as olheiras da filha sentindo o cheiro de exaustão recompensada que ela exalava e só se permitia um “chega, né?”. Não podia mais que isso, é verdade, mesmo porque já estava acostumada com aquele jeito de amar profundo e perdido. Mas agora estava ficando pior.
Na cama viravam para todos os lados e tentavam todas as posições e nada dava conta de segurar toda aquela paixão ou desejo, não sei bem o que era aquilo. Eles precisavam passar por toda e qualquer barreira e ir até o fim, até que fossem um só, até que...
e acabou.
Acabada, sem fôlego ou força mas explodindo nos mais diversos sentimentos, a menina fechou o livro e deu uma boa olhada na capa. Ele era tudo o que tinha prometido ser quando o encontrou na livraria.
Nunca existiu algo tão intenso.
Até que aconteceu outra vez, e não, não se pode dizer que foi sensato...
No caminho de volta pra casa resolveu, como quem não quer nada, entrar em uma dessas lojas que ficam no caminho de todos. Um pé depois do outro e então os olhos e esses fixaram-se com ardor e força naquilo que instintivamente ela sabia ser seu. Grande amor? Destino? Tanto faz o nome que você escolha usar. O que se leva de importante desse parágrafo é o aperto que a menina da nossa historia sentiu no peito. Era dela, ele não poderia ser de mais ninguém.
Tomada por forte impulso correu e tomou-o no braços. Espanto, surpresa, falta de reação e por fim total reciprocidade. Os sentimentos que emanavam eram indistintos e ainda assim completavam-se perfeitamente e já havia se passado dois intensos minutos quando deixaram a loja colados um ao outro.
Nem uma palavra durante o resto do caminho até a casa dela, eles sabiam bem o que queriam. A menina tinha, já, a respiração ofegante e um sorriso de mais puro prazer nos lábios maliciosos que trazia consigo desde a infância, e as batidas de seu coração só não eram mais rápidas que seus passos mas ainda assim eram frenéticas. Correram casa adentro e foram jogando tudo pelo caminho, até que por fim se jogaram eles mesmos na cama.
Agora tudo parecia sem controle. Ela queria explora-lo cada vez mais fundo e ele a abocanhava sem medos, preocupações ou prevenções. Só existia o presente e nada mais. Problemas futuros, dores passadas? Nada. Havia o presente e todo aquele mundo criado por eles e só entre eles. Repito: nada mais.
E seguiu-se nesse ritmo por dias. As vezes a menina deixava o quarto, ainda que só fisicamente, para buscar comida. A mãe olhava desolada para as olheiras da filha sentindo o cheiro de exaustão recompensada que ela exalava e só se permitia um “chega, né?”. Não podia mais que isso, é verdade, mesmo porque já estava acostumada com aquele jeito de amar profundo e perdido. Mas agora estava ficando pior.
Na cama viravam para todos os lados e tentavam todas as posições e nada dava conta de segurar toda aquela paixão ou desejo, não sei bem o que era aquilo. Eles precisavam passar por toda e qualquer barreira e ir até o fim, até que fossem um só, até que...
e acabou.
Acabada, sem fôlego ou força mas explodindo nos mais diversos sentimentos, a menina fechou o livro e deu uma boa olhada na capa. Ele era tudo o que tinha prometido ser quando o encontrou na livraria.
Nunca existiu algo tão intenso.
Até que aconteceu outra vez, e não, não se pode dizer que foi sensato...
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Em um vinil:
LADO A
Seu celular marcava 7:30, e ela estava acordada a pelo menos uma hora. Aliás, será que dormiu durante a madrugada? A temperatura despencou durante a noite e seu corpo todo doía por ter ficado tão encolhida devido ao frio que sentia, mesmo debaixo de todas as cobertas. Além disso, recebera uma mensagem de um amigo e incontáveis ligações de desconhecidos reclamando e pedindo maiores explicações sobre um festival que estavam organizando no lugar onde ela trabalhava voluntariamente, mas que era responsabilidade de outra diretoria. Como tinham conseguido o número dela? Não tinha nada com isso.
Era melhor levantar logo. Os pedreiros chegariam às 8h e ela tinha muita sujeira pra limpar.
Terminou toda a limpeza às 11h e foi tomar banho. Não tinha gás em casa, o jeito era tomar banho no chuveiro elétrico. - Claro que ele queimou - pensou quando a agua começou a cair fria. Saiu do banho sem nem se lavar direito e foi secar o cabelo sujo e molhado. Daria um jeito nisso, sabia que daria.
Saiu correndo, o almoço não estava pronto. Enquanto esquentava a água pra fazer um cup noodles explicou à mãe porque tinha que sair – Mas como eles conseguiram seu telefone? - pergunta antiga, mas não sabia responder. Só sabia que de tanto sono prometera que faria alguma coisa e agora tinha que fazer. A mãe deixou escapar aquele “hum” de desconfiança que a filha tanto odiava – Calma – pensou – Está muito cedo pra ficar irritada.- e falando com a boca cheia, comentou com a mãe como aquele macarrão instantâneo de frango com requeijão era gostoso.
De dentro do ônibus lotado, que estava atrasado, viu outros dois da mesma linha chegando e partindo pro mesmo destino, só que vazios. Recebeu uma mensagem que dizia “meu carro vai ficar na revisão até sexta e minha aula de alemão começa na quinta =(“. Queria comentar algo como “que droga” mas não achou que seria sincero. Por entre os braços viu um jornal aberto em uma reportagem que falava sobre as altas chances de nevar em SC naquele fim de semana. Ele tinha a formatura em SC nesse mesmo fim de semana mas não poderia ir, pois tinha que resolver os problemas com o seu estágio, mas seu primo ia. Mandou uma mensagem toda empolgada comentando a sorte que ele tinha e que deveria tirar milhões de fotos.
Chegando ao trabalho, descobriu que a situação era pior do que imaginava. Depois de muita explicação sem sentido, muita enrolação e muito tempo perdido chegaram a um acordo, ainda que provisório. Já estava começando a escurecer e agora chovia, achou que ia voltar pra casa, um sonho inocente. Três horas depois estava encharcada no ponto de ônibus e cheia de novos problemas pra resolver. Os ossos tão congelados que pareciam doer na alma. Um banho quente seria ótimo...mas o chuveiro estava queimado, não estava?
Após um banho frio e uma xicara de chá quente (santo micro-ondas) sentiu a gripe chegando. Precisava se distrair. Ligou seu computador para checar sua caixa de email, anotou mais alguns compromissos e já estava indo deitar quando alguém veio falar com ela. Respondeu, toda cansada
- Oi ^^ - disse
- E então, como foi o dia? – veio a pergunta
Pensou um pouco, fez algumas considerações e por fim respondeu sinceramente
–foi bom, e o seu?
LADO B
Acordou perto do meio dia. Seu sono leve caíra durante a noite mas nem percebera, pois a casa tinha a temperatura controlada. Foi tomar banho, 1h de água quentinha pra acordar. Saiu do banho e se meteu sob as cobertas e cochilou por mais meia hora, quando acordou já estava seco. Vestiu-se e foi almoçar com a mãe no shopping, tinham que comprar um presente de formatura.
Enquanto estava no carro, viu que tinha recebido uma mensagem da sua prima “Acabei de ler que muito provavelmente vai nevar em Lages nesse fim de semana, não é ótimo? Você vai se divertir um monte! Faça um anjo na neve pra mim e mande fotos, te faço um bolo quando voltar, em troca”. Otimo? Ela só podia estar louca! Certamente iria morrer de frio. E decididamente se jogar na neve não valia um bolo e um sorriso. Se ela queria tanto isso porque não fazia a faculdade mudar a data de reunião do estágio? Era tudo uma desculpa, ela não queria ir tanto quanto ele. Sabia disso.
A fila no McDonald’s era enorme e claro que ele reclamou. Pode isso? Não conseguiria nem almoçar em paz! Comeu seu BigMac emburrado e foi acompanhar a mãe na compra do presente. Depois voltou pra casa e descontou toda a sua raiva em filmes, jogos, desenhos, animes e séries. Precisava descansar.
A noite viu a prima online no msn – bastarda – pensou. Foi falar com ela
- Oi – disse
- Oi ^^
- E então, como foi o dia? – Arriscou perguntar
Depois de um certo tempo veio a resposta
- foi bom, e o seu?
- uma merda – e desandou a reclamar do seu dia péssimo.
Seu celular marcava 7:30, e ela estava acordada a pelo menos uma hora. Aliás, será que dormiu durante a madrugada? A temperatura despencou durante a noite e seu corpo todo doía por ter ficado tão encolhida devido ao frio que sentia, mesmo debaixo de todas as cobertas. Além disso, recebera uma mensagem de um amigo e incontáveis ligações de desconhecidos reclamando e pedindo maiores explicações sobre um festival que estavam organizando no lugar onde ela trabalhava voluntariamente, mas que era responsabilidade de outra diretoria. Como tinham conseguido o número dela? Não tinha nada com isso.
Era melhor levantar logo. Os pedreiros chegariam às 8h e ela tinha muita sujeira pra limpar.
Terminou toda a limpeza às 11h e foi tomar banho. Não tinha gás em casa, o jeito era tomar banho no chuveiro elétrico. - Claro que ele queimou - pensou quando a agua começou a cair fria. Saiu do banho sem nem se lavar direito e foi secar o cabelo sujo e molhado. Daria um jeito nisso, sabia que daria.
Saiu correndo, o almoço não estava pronto. Enquanto esquentava a água pra fazer um cup noodles explicou à mãe porque tinha que sair – Mas como eles conseguiram seu telefone? - pergunta antiga, mas não sabia responder. Só sabia que de tanto sono prometera que faria alguma coisa e agora tinha que fazer. A mãe deixou escapar aquele “hum” de desconfiança que a filha tanto odiava – Calma – pensou – Está muito cedo pra ficar irritada.- e falando com a boca cheia, comentou com a mãe como aquele macarrão instantâneo de frango com requeijão era gostoso.
De dentro do ônibus lotado, que estava atrasado, viu outros dois da mesma linha chegando e partindo pro mesmo destino, só que vazios. Recebeu uma mensagem que dizia “meu carro vai ficar na revisão até sexta e minha aula de alemão começa na quinta =(“. Queria comentar algo como “que droga” mas não achou que seria sincero. Por entre os braços viu um jornal aberto em uma reportagem que falava sobre as altas chances de nevar em SC naquele fim de semana. Ele tinha a formatura em SC nesse mesmo fim de semana mas não poderia ir, pois tinha que resolver os problemas com o seu estágio, mas seu primo ia. Mandou uma mensagem toda empolgada comentando a sorte que ele tinha e que deveria tirar milhões de fotos.
Chegando ao trabalho, descobriu que a situação era pior do que imaginava. Depois de muita explicação sem sentido, muita enrolação e muito tempo perdido chegaram a um acordo, ainda que provisório. Já estava começando a escurecer e agora chovia, achou que ia voltar pra casa, um sonho inocente. Três horas depois estava encharcada no ponto de ônibus e cheia de novos problemas pra resolver. Os ossos tão congelados que pareciam doer na alma. Um banho quente seria ótimo...mas o chuveiro estava queimado, não estava?
Após um banho frio e uma xicara de chá quente (santo micro-ondas) sentiu a gripe chegando. Precisava se distrair. Ligou seu computador para checar sua caixa de email, anotou mais alguns compromissos e já estava indo deitar quando alguém veio falar com ela. Respondeu, toda cansada
- Oi ^^ - disse
- E então, como foi o dia? – veio a pergunta
Pensou um pouco, fez algumas considerações e por fim respondeu sinceramente
–foi bom, e o seu?
LADO B
Acordou perto do meio dia. Seu sono leve caíra durante a noite mas nem percebera, pois a casa tinha a temperatura controlada. Foi tomar banho, 1h de água quentinha pra acordar. Saiu do banho e se meteu sob as cobertas e cochilou por mais meia hora, quando acordou já estava seco. Vestiu-se e foi almoçar com a mãe no shopping, tinham que comprar um presente de formatura.
Enquanto estava no carro, viu que tinha recebido uma mensagem da sua prima “Acabei de ler que muito provavelmente vai nevar em Lages nesse fim de semana, não é ótimo? Você vai se divertir um monte! Faça um anjo na neve pra mim e mande fotos, te faço um bolo quando voltar, em troca”. Otimo? Ela só podia estar louca! Certamente iria morrer de frio. E decididamente se jogar na neve não valia um bolo e um sorriso. Se ela queria tanto isso porque não fazia a faculdade mudar a data de reunião do estágio? Era tudo uma desculpa, ela não queria ir tanto quanto ele. Sabia disso.
A fila no McDonald’s era enorme e claro que ele reclamou. Pode isso? Não conseguiria nem almoçar em paz! Comeu seu BigMac emburrado e foi acompanhar a mãe na compra do presente. Depois voltou pra casa e descontou toda a sua raiva em filmes, jogos, desenhos, animes e séries. Precisava descansar.
A noite viu a prima online no msn – bastarda – pensou. Foi falar com ela
- Oi – disse
- Oi ^^
- E então, como foi o dia? – Arriscou perguntar
Depois de um certo tempo veio a resposta
- foi bom, e o seu?
- uma merda – e desandou a reclamar do seu dia péssimo.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Coloque aqui a sua história:
...e eu poderia, com toda certeza, encerrar minhas memórias relatando que eles viveram felizes para sempre. Mas isso apenas camuflaria o que de mais valor se desprende dessa historia
O importante, meus senhores, o que deve ser levado em conta, é que eles viveram.
O importante, meus senhores, o que deve ser levado em conta, é que eles viveram.
domingo, 15 de maio de 2011
Relatos avulsos
Não lembro se já antes não fiz referencia ao novo monstro que habita o Névoa, Bugle. O que lembro, e perfeitamente, é de sua chegada.
Foi na ultima vez que aportamos na Inglaterra e Nevada estava encantadora. Costumava usar belos vestidos, bem rodados, quando deixava o navio para “fazer compras”. Dizia que nunca alguém em sã consciência esperaria um ataque surpresa de uma “inocente menina de boa família”, e pra mim isso pode ser tomado como muito verdade pois nada mais justificava Nevada poder se dar ao luxo de sair carregando sua espada a mostra, brincando de cortar tudo que encontrava no caminho, sem ser detida.
Mas não era sua espada, enfim, que trazia nas mãos. Naquele dia, junto com uma quantidade de chá suficiente para abastecer as tropas de Napoleão por um ano, subiu a bordo um até então adorável filhote de beagle, um cão de caça comum naquelas terras, que lambia a face da nossa Capitã e lhe fazia soltar suaves risadas. Como o sol se punha, delicados feixes de luz dourada iluminavam a cena. Nunca antes se tinha visto uma coisa tão bonita e, há! Vocês sabem como a beleza é perigosa!
Somos homens! Somos humanos! Ainda que quase todos neste navio tenham mais mortes nas costas que pele, carne e osso, temos sentimentos! Quando, ao fundo, escutamos o coro de encerramento da igreja deixamos nossos queixos irem ao chão ou aonde bem entendessem e, em uníssono, soltamos um grande suspiro de encanto e admiração, o mesmo que soltaríamos se estivéssemos de frente a um anjo. Ilusão nossa! Não era um anjo, era nossa terrível e amada Capitã com um filhote de demônio. Ao dar conta de nossos olhares apaixonados seus risos se transformaram na cara mais ameaçadora que se pode imaginar e, como se já não estivéssemos apavorados o suficiente, abaixou-se mecanicamente e soltou seu novo companheiro.
Bugle, que antes latia feliz e abanava o rabo, agora tinha olhos carregados e todos os seus músculos estavam concentrados em um só desejo: sangue. Não, sangue não, NOSSO sangue. Mal tivemos tempo de respirar e ele já estava encurralando Theodore próximo a mesa de espadas. Theodore puxou uma e a apontou bem no meio do rosto do seu predador. Peço que me acreditem quando digo que aquele cão esboçou um enorme e maléfico sorriso antes de devorar a espada e deixa-la espalhada em migalhas pelo convés. Preparava-se para saltar direto na jugular então...
-BUGLE! – Chamou Nevada – Aqui menino.
Magicamente Bugle voltou a ser um cachorro, e não mais um encomendador de morte. Seu olhar ficou leve e brincalhão como o do filhote que deveria ser e foi pulando docemente, tropeçando aqui e ali, até sua dona. Se me permitem um comentário pessoal – e que Nevada nunca o leia!- aqueles dois faziam um belo equivalente para “lobo em pele de cordeiro” naquele dia.
-Espero que lembrem – Continuou Nevada, depois de jogar uma bolinha de lã para que Bugle buscasse – que este não é um bichinho de estimação, é o MEU bichinho de estimação. Compreenderam? Ótimo. Theodore, partimos amanha. Vá até a cidade e veja se consegue uma boa espada até lá. Pode levar Bugle para ajudar na negociação, se quiser.
Theodore apanhou a espada reserva que Nevada lhe jogara e saiu, grato e as pressas, do navio. Escolheu ir sozinho
Claro que, passado o susto, todos tomaram carinho por Bugle. Claro, também, que ele só obedecw sua dona e mais ninguém, mas e quem se importa? Ele nunca nos devoraria, pois não nos acha dignos, e as sobras dos tubarões que mata durante a noite, quando está com fome, são muito bem vindas no café da manhã.
De quem são os relatos? Do Momiji? Do Klaus? De algum marujo aleatório? Os marujos realmente sabiam escrever? Dê sua opinião e ajude a autora a orientar melhor os futuros relatos da vida no Névoa.
Galera, eu sei que eu sumi por MUITO muito tempo, me desculpem. A idéia inicial dessa postagem, inclusive, era fazer uma retratação na voz da própria Nevada contando alguma historia incrível sobre roubo de tempo ou algo assim. Mas e desde quando Capitã Nevada James precisa se retratar, não é mesmo?
Obrigada pelo carinho e até mesmo pela pressão. Foi uma falta de comprometimento muito grande da minha parte deixar isso abandonado por tanto tempo e eu prometo que vou me esforçar ao máximo para evitar que isso se repita.
Foi na ultima vez que aportamos na Inglaterra e Nevada estava encantadora. Costumava usar belos vestidos, bem rodados, quando deixava o navio para “fazer compras”. Dizia que nunca alguém em sã consciência esperaria um ataque surpresa de uma “inocente menina de boa família”, e pra mim isso pode ser tomado como muito verdade pois nada mais justificava Nevada poder se dar ao luxo de sair carregando sua espada a mostra, brincando de cortar tudo que encontrava no caminho, sem ser detida.
Mas não era sua espada, enfim, que trazia nas mãos. Naquele dia, junto com uma quantidade de chá suficiente para abastecer as tropas de Napoleão por um ano, subiu a bordo um até então adorável filhote de beagle, um cão de caça comum naquelas terras, que lambia a face da nossa Capitã e lhe fazia soltar suaves risadas. Como o sol se punha, delicados feixes de luz dourada iluminavam a cena. Nunca antes se tinha visto uma coisa tão bonita e, há! Vocês sabem como a beleza é perigosa!
Somos homens! Somos humanos! Ainda que quase todos neste navio tenham mais mortes nas costas que pele, carne e osso, temos sentimentos! Quando, ao fundo, escutamos o coro de encerramento da igreja deixamos nossos queixos irem ao chão ou aonde bem entendessem e, em uníssono, soltamos um grande suspiro de encanto e admiração, o mesmo que soltaríamos se estivéssemos de frente a um anjo. Ilusão nossa! Não era um anjo, era nossa terrível e amada Capitã com um filhote de demônio. Ao dar conta de nossos olhares apaixonados seus risos se transformaram na cara mais ameaçadora que se pode imaginar e, como se já não estivéssemos apavorados o suficiente, abaixou-se mecanicamente e soltou seu novo companheiro.
Bugle, que antes latia feliz e abanava o rabo, agora tinha olhos carregados e todos os seus músculos estavam concentrados em um só desejo: sangue. Não, sangue não, NOSSO sangue. Mal tivemos tempo de respirar e ele já estava encurralando Theodore próximo a mesa de espadas. Theodore puxou uma e a apontou bem no meio do rosto do seu predador. Peço que me acreditem quando digo que aquele cão esboçou um enorme e maléfico sorriso antes de devorar a espada e deixa-la espalhada em migalhas pelo convés. Preparava-se para saltar direto na jugular então...
-BUGLE! – Chamou Nevada – Aqui menino.
Magicamente Bugle voltou a ser um cachorro, e não mais um encomendador de morte. Seu olhar ficou leve e brincalhão como o do filhote que deveria ser e foi pulando docemente, tropeçando aqui e ali, até sua dona. Se me permitem um comentário pessoal – e que Nevada nunca o leia!- aqueles dois faziam um belo equivalente para “lobo em pele de cordeiro” naquele dia.
-Espero que lembrem – Continuou Nevada, depois de jogar uma bolinha de lã para que Bugle buscasse – que este não é um bichinho de estimação, é o MEU bichinho de estimação. Compreenderam? Ótimo. Theodore, partimos amanha. Vá até a cidade e veja se consegue uma boa espada até lá. Pode levar Bugle para ajudar na negociação, se quiser.
Theodore apanhou a espada reserva que Nevada lhe jogara e saiu, grato e as pressas, do navio. Escolheu ir sozinho
Claro que, passado o susto, todos tomaram carinho por Bugle. Claro, também, que ele só obedecw sua dona e mais ninguém, mas e quem se importa? Ele nunca nos devoraria, pois não nos acha dignos, e as sobras dos tubarões que mata durante a noite, quando está com fome, são muito bem vindas no café da manhã.
De quem são os relatos? Do Momiji? Do Klaus? De algum marujo aleatório? Os marujos realmente sabiam escrever? Dê sua opinião e ajude a autora a orientar melhor os futuros relatos da vida no Névoa.
Galera, eu sei que eu sumi por MUITO muito tempo, me desculpem. A idéia inicial dessa postagem, inclusive, era fazer uma retratação na voz da própria Nevada contando alguma historia incrível sobre roubo de tempo ou algo assim. Mas e desde quando Capitã Nevada James precisa se retratar, não é mesmo?
Obrigada pelo carinho e até mesmo pela pressão. Foi uma falta de comprometimento muito grande da minha parte deixar isso abandonado por tanto tempo e eu prometo que vou me esforçar ao máximo para evitar que isso se repita.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
O que? A capitã Nevada James esta falando de amor?!
AAAAAAAAAAAARGH! – Gritou Gregory enquanto fazia o favor de quebrar tudo que estava sobre o piano da capitã, ação pela qual ele pagaria um preço caro mais tarde –Tragam já aquela bola felpuda idiota, aposto meu rum que é tudo culpa dele. E avisem o cozinheiro que afie bem as facas! Teremos carne pro jantar quando eu acabar com ele.
O névoa pretendia zarpar ainda naquele dia mas não pôde, não com a Capitã enferma. Nevada passará a ultima semana se aventurando durante as noites de inverno e, sempre descuidada com seu corpo, apanhara um resfriado. Estava de cama já a dois dias e agora, fosse pela febre, fosse pelos passeios noturnos com Momiji que geraram a febre, falava sobre algo que antes ninguém, a não ser sua espada, a ouvira falar.
Gregory estava certo, a culpa era, no fim, de Momiji. Ele poderia matar aquele contador de historias com as próprias mãos e de uma maneira muito rápida e dolorosa. Mas por quê? Ele nunca teria a resposta pois nunca admitiria sentir ciúmes. Ele nunca poderia, não tinha força pra tanto e as que possuía estavam sendo usadas para manter seu orgulho. Ele se esforçara ao máximo mas não era páreo para aquela explosão de sentimentos. Então teve que mandar buscar ajuda, do seu jeito.
Dois marujos corpulentos, recrutados recentemente, voltaram em uma hora com Momiji preso entre eles. Gregory estava sentado na poltrona imediatamente ao lado da Capitã e a olhava como um predador para sua presa. O marujo mais baixo e magro, mas ainda assim mais corajoso, limpou a garganta para quebrar o transe.
Quietos! – Gregory sussurrou alto – Escutem, seus boçais!
A Capitã falava de coisas doces e meigas. A Capitã! Quem imaginaria cena assim? Quem, sabendo seus feitos, teria coragem de dizer que algum dia ouviu palavras tão suaves saindo daquela boca bem desenhada? A tripulação estava desesperada mas ainda assim concordava, em silencio, que aquilo era como ver uma linda e ainda desconhecida espécie de flor, mas certamente alguma da família dos lírios, desabrochar com força e beleza. Era tão bonito que dava medo.
...e é assim –a capitã continuou, Momiji desejava ter chego antes – que eu acho que o amor entre dois indivíduos deve funcionar. Como a espada e o escudo de um mesmo gladiador, que são duas partes diferentes. O senhor vê, são opostos. O escudo faz a defesa, a espada parte em ataque. Ainda assim nada se completa melhor que eles, pois há vezes que a melhor defesa é o ataque e há vezes que o melhor ataque é a defesa. – Aqui houve uma pausa tão profunda e que parecia dizer tanto que se eu não a citasse correria o risco de pintar um quadro diferente do original. – Assim... assim eles lutam juntos, lado a lado, por um mesmo bem. Tão iguais...tão diferentes... – e caiu no sono.
Momiji riu um rio de lagrimas. – Ela fala de amor usando toda a sua peculiaridade e intensidade, não deve nem sonhar com o quanto isso pode ser cruel. – E aqui virou-se para o resto da plateia – Acalmem-se. Sua Capitã esta em juízo perfeito, não conseguem ver? A febre a fez pensar alto, só isso. Acalmem-se, homens , vamos! -Não há necessidade de apontar a espada pra mim, senhor, não estou ordenando calma- Eu cuidarei do resfriado da capitã e se amanhã ela não estiver melhor...bom, que Deus me ajude!
Saíram todos com muito respeito, inicialmente, pois estavam nos aposentos de uma Capitã, mas uma vez já no convés recomeçaram a balburdia e a cantoria. O Névoa estava recuperando sua pirataria e isso só podia significar que a Capitã estava recuperando sua força e vitalidade. Ela era a alma do Nevoa, afinal.
Assim que se viu só ao lado da Nevada, Momiji se deixou cair na poltrona, exausto.
-Quando se trata de historias românticas, capitã, a senhorita parece ser muito mais apropriada do que esse velho contador de historias, não é mesmo?
E caiu no riso. Gregory, com o ouvido colado na porta, correu a mão pra espada mas parou a tempo. Deu as costas à porta e saiu batendo o pé.
-Há, ela acredita mesmo que essa bola de pelos desvairada é boa o suficiente pra cuidar dela?
Quando eu era pequena e a Capitã Nevada James não era nada além da minha amiga imaginaria, eu costumava vê-la como a minha espada, pois ela sempre ia a luta por mim e eu me jogaria na frente de qualquer canhão pra protege-la.
Ora ora, Thamara, você sempre foi do tipo escudo, não foi? – Diria a Capitã Nevada se estivesse aqui.
O névoa pretendia zarpar ainda naquele dia mas não pôde, não com a Capitã enferma. Nevada passará a ultima semana se aventurando durante as noites de inverno e, sempre descuidada com seu corpo, apanhara um resfriado. Estava de cama já a dois dias e agora, fosse pela febre, fosse pelos passeios noturnos com Momiji que geraram a febre, falava sobre algo que antes ninguém, a não ser sua espada, a ouvira falar.
Gregory estava certo, a culpa era, no fim, de Momiji. Ele poderia matar aquele contador de historias com as próprias mãos e de uma maneira muito rápida e dolorosa. Mas por quê? Ele nunca teria a resposta pois nunca admitiria sentir ciúmes. Ele nunca poderia, não tinha força pra tanto e as que possuía estavam sendo usadas para manter seu orgulho. Ele se esforçara ao máximo mas não era páreo para aquela explosão de sentimentos. Então teve que mandar buscar ajuda, do seu jeito.
Dois marujos corpulentos, recrutados recentemente, voltaram em uma hora com Momiji preso entre eles. Gregory estava sentado na poltrona imediatamente ao lado da Capitã e a olhava como um predador para sua presa. O marujo mais baixo e magro, mas ainda assim mais corajoso, limpou a garganta para quebrar o transe.
Quietos! – Gregory sussurrou alto – Escutem, seus boçais!
A Capitã falava de coisas doces e meigas. A Capitã! Quem imaginaria cena assim? Quem, sabendo seus feitos, teria coragem de dizer que algum dia ouviu palavras tão suaves saindo daquela boca bem desenhada? A tripulação estava desesperada mas ainda assim concordava, em silencio, que aquilo era como ver uma linda e ainda desconhecida espécie de flor, mas certamente alguma da família dos lírios, desabrochar com força e beleza. Era tão bonito que dava medo.
...e é assim –a capitã continuou, Momiji desejava ter chego antes – que eu acho que o amor entre dois indivíduos deve funcionar. Como a espada e o escudo de um mesmo gladiador, que são duas partes diferentes. O senhor vê, são opostos. O escudo faz a defesa, a espada parte em ataque. Ainda assim nada se completa melhor que eles, pois há vezes que a melhor defesa é o ataque e há vezes que o melhor ataque é a defesa. – Aqui houve uma pausa tão profunda e que parecia dizer tanto que se eu não a citasse correria o risco de pintar um quadro diferente do original. – Assim... assim eles lutam juntos, lado a lado, por um mesmo bem. Tão iguais...tão diferentes... – e caiu no sono.
Momiji riu um rio de lagrimas. – Ela fala de amor usando toda a sua peculiaridade e intensidade, não deve nem sonhar com o quanto isso pode ser cruel. – E aqui virou-se para o resto da plateia – Acalmem-se. Sua Capitã esta em juízo perfeito, não conseguem ver? A febre a fez pensar alto, só isso. Acalmem-se, homens , vamos! -Não há necessidade de apontar a espada pra mim, senhor, não estou ordenando calma- Eu cuidarei do resfriado da capitã e se amanhã ela não estiver melhor...bom, que Deus me ajude!
Saíram todos com muito respeito, inicialmente, pois estavam nos aposentos de uma Capitã, mas uma vez já no convés recomeçaram a balburdia e a cantoria. O Névoa estava recuperando sua pirataria e isso só podia significar que a Capitã estava recuperando sua força e vitalidade. Ela era a alma do Nevoa, afinal.
Assim que se viu só ao lado da Nevada, Momiji se deixou cair na poltrona, exausto.
-Quando se trata de historias românticas, capitã, a senhorita parece ser muito mais apropriada do que esse velho contador de historias, não é mesmo?
E caiu no riso. Gregory, com o ouvido colado na porta, correu a mão pra espada mas parou a tempo. Deu as costas à porta e saiu batendo o pé.
-Há, ela acredita mesmo que essa bola de pelos desvairada é boa o suficiente pra cuidar dela?
Quando eu era pequena e a Capitã Nevada James não era nada além da minha amiga imaginaria, eu costumava vê-la como a minha espada, pois ela sempre ia a luta por mim e eu me jogaria na frente de qualquer canhão pra protege-la.
Ora ora, Thamara, você sempre foi do tipo escudo, não foi? – Diria a Capitã Nevada se estivesse aqui.
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