quinta-feira, 13 de outubro de 2011

...não, não se pode dizer que foi algo sensato.

No caminho de volta pra casa resolveu, como quem não quer nada, entrar em uma dessas lojas que ficam no caminho de todos. Um pé depois do outro e então os olhos e esses fixaram-se com ardor e força naquilo que instintivamente ela sabia ser seu. Grande amor? Destino? Tanto faz o nome que você escolha usar. O que se leva de importante desse parágrafo é o aperto que a menina da nossa historia sentiu no peito. Era dela, ele não poderia ser de mais ninguém.

Tomada por forte impulso correu e tomou-o no braços. Espanto, surpresa, falta de reação e por fim total reciprocidade. Os sentimentos que emanavam eram indistintos e ainda assim completavam-se perfeitamente e já havia se passado dois intensos minutos quando deixaram a loja colados um ao outro.
Nem uma palavra durante o resto do caminho até a casa dela, eles sabiam bem o que queriam. A menina tinha, já, a respiração ofegante e um sorriso de mais puro prazer nos lábios maliciosos que trazia consigo desde a infância, e as batidas de seu coração só não eram mais rápidas que seus passos mas ainda assim eram frenéticas. Correram casa adentro e foram jogando tudo pelo caminho, até que por fim se jogaram eles mesmos na cama.

Agora tudo parecia sem controle. Ela queria explora-lo cada vez mais fundo e ele a abocanhava sem medos, preocupações ou prevenções. Só existia o presente e nada mais. Problemas futuros, dores passadas? Nada. Havia o presente e todo aquele mundo criado por eles e só entre eles. Repito: nada mais.

E seguiu-se nesse ritmo por dias. As vezes a menina deixava o quarto, ainda que só fisicamente, para buscar comida. A mãe olhava desolada para as olheiras da filha sentindo o cheiro de exaustão recompensada que ela exalava e só se permitia um “chega, né?”. Não podia mais que isso, é verdade, mesmo porque já estava acostumada com aquele jeito de amar profundo e perdido. Mas agora estava ficando pior.

Na cama viravam para todos os lados e tentavam todas as posições e nada dava conta de segurar toda aquela paixão ou desejo, não sei bem o que era aquilo. Eles precisavam passar por toda e qualquer barreira e ir até o fim, até que fossem um só, até que...
e acabou.

Acabada, sem fôlego ou força mas explodindo nos mais diversos sentimentos, a menina fechou o livro e deu uma boa olhada na capa. Ele era tudo o que tinha prometido ser quando o encontrou na livraria.

Nunca existiu algo tão intenso.

Até que aconteceu outra vez, e não, não se pode dizer que foi sensato...