domingo, 15 de maio de 2011

Relatos avulsos

Não lembro se já antes não fiz referencia ao novo monstro que habita o Névoa, Bugle. O que lembro, e perfeitamente, é de sua chegada.

Foi na ultima vez que aportamos na Inglaterra e Nevada estava encantadora. Costumava usar belos vestidos, bem rodados, quando deixava o navio para “fazer compras”. Dizia que nunca alguém em sã consciência esperaria um ataque surpresa de uma “inocente menina de boa família”, e pra mim isso pode ser tomado como muito verdade pois nada mais justificava Nevada poder se dar ao luxo de sair carregando sua espada a mostra, brincando de cortar tudo que encontrava no caminho, sem ser detida.

Mas não era sua espada, enfim, que trazia nas mãos. Naquele dia, junto com uma quantidade de chá suficiente para abastecer as tropas de Napoleão por um ano, subiu a bordo um até então adorável filhote de beagle, um cão de caça comum naquelas terras, que lambia a face da nossa Capitã e lhe fazia soltar suaves risadas. Como o sol se punha, delicados feixes de luz dourada iluminavam a cena. Nunca antes se tinha visto uma coisa tão bonita e, há! Vocês sabem como a beleza é perigosa!

Somos homens! Somos humanos! Ainda que quase todos neste navio tenham mais mortes nas costas que pele, carne e osso, temos sentimentos! Quando, ao fundo, escutamos o coro de encerramento da igreja deixamos nossos queixos irem ao chão ou aonde bem entendessem e, em uníssono, soltamos um grande suspiro de encanto e admiração, o mesmo que soltaríamos se estivéssemos de frente a um anjo. Ilusão nossa! Não era um anjo, era nossa terrível e amada Capitã com um filhote de demônio. Ao dar conta de nossos olhares apaixonados seus risos se transformaram na cara mais ameaçadora que se pode imaginar e, como se já não estivéssemos apavorados o suficiente, abaixou-se mecanicamente e soltou seu novo companheiro.

Bugle, que antes latia feliz e abanava o rabo, agora tinha olhos carregados e todos os seus músculos estavam concentrados em um só desejo: sangue. Não, sangue não, NOSSO sangue. Mal tivemos tempo de respirar e ele já estava encurralando Theodore próximo a mesa de espadas. Theodore puxou uma e a apontou bem no meio do rosto do seu predador. Peço que me acreditem quando digo que aquele cão esboçou um enorme e maléfico sorriso antes de devorar a espada e deixa-la espalhada em migalhas pelo convés. Preparava-se para saltar direto na jugular então...

-BUGLE! – Chamou Nevada – Aqui menino.

Magicamente Bugle voltou a ser um cachorro, e não mais um encomendador de morte. Seu olhar ficou leve e brincalhão como o do filhote que deveria ser e foi pulando docemente, tropeçando aqui e ali, até sua dona. Se me permitem um comentário pessoal – e que Nevada nunca o leia!- aqueles dois faziam um belo equivalente para “lobo em pele de cordeiro” naquele dia.

-Espero que lembrem – Continuou Nevada, depois de jogar uma bolinha de lã para que Bugle buscasse – que este não é um bichinho de estimação, é o MEU bichinho de estimação. Compreenderam? Ótimo. Theodore, partimos amanha. Vá até a cidade e veja se consegue uma boa espada até lá. Pode levar Bugle para ajudar na negociação, se quiser.

Theodore apanhou a espada reserva que Nevada lhe jogara e saiu, grato e as pressas, do navio. Escolheu ir sozinho

Claro que, passado o susto, todos tomaram carinho por Bugle. Claro, também, que ele só obedecw sua dona e mais ninguém, mas e quem se importa? Ele nunca nos devoraria, pois não nos acha dignos, e as sobras dos tubarões que mata durante a noite, quando está com fome, são muito bem vindas no café da manhã.






De quem são os relatos? Do Momiji? Do Klaus? De algum marujo aleatório? Os marujos realmente sabiam escrever? Dê sua opinião e ajude a autora a orientar melhor os futuros relatos da vida no Névoa.

Galera, eu sei que eu sumi por MUITO muito tempo, me desculpem. A idéia inicial dessa postagem, inclusive, era fazer uma retratação na voz da própria Nevada contando alguma historia incrível sobre roubo de tempo ou algo assim. Mas e desde quando Capitã Nevada James precisa se retratar, não é mesmo?
Obrigada pelo carinho e até mesmo pela pressão. Foi uma falta de comprometimento muito grande da minha parte deixar isso abandonado por tanto tempo e eu prometo que vou me esforçar ao máximo para evitar que isso se repita.

9 comentários:

Andreas disse...

Era você que tinha um beagle, correto? Qual a possibilidade dessa historia ter seu fundo realista?

Since Old disse...

n acho que os marujos escrevam bem
mas tb n acho que a capita deixaria alguem analfabeto no seu navio.

quase certeza que é um relato de algum deles e que foi escrito por alguem anos depois.

Anônimo disse...

Poderia ser o relato de um Bardo viajante, que escolheu participar das histórias da bela (e terrível!) capitã por saber que junto com sua tripulação não haveria falta de histórias!

Quem sabe tal Bardo esteja até se apaixonando por Nevada? Corajoso ele!

Thamara Liz: disse...

Deus, anonimo, quem é este corajoso bardo?? isso muito me despertou o interesse!

e quem é esse anonimo >.< sorte minha que curiosidade matou o gato e não o coelho >.<

Anônimo disse...

Qual é o ponto de perguntar quem é este, que decidiu se declarar como não-nonimo!
O Bardo é um famoso colecionador de histórias, que, coincidentemente, também prefere se ater ao codinome "Bardo" ao invés de escolher um outro nome, pois ele acredita que o nome define o que a pessoa é, e ele e o Bardo, assim como ela é a Nevada.

O mistério continua =D

Dante Lass disse...

Muito legal o texto!
Parabéns!

Ruу Jorjе disse...

Acho que o relato é do próprio cachorro, porque normalmente eles não destroem espadas, só se elas forem de papel ou papelão

Anônimo disse...

Talvez falte à Nevada alguns inimigos...
Um arquiinimigo...
Dois "senhores do mar"...
Ele e Ela...
Talvez até uma ponta de magia.
Quem sabe!

Manifesto disse...

Personagens que relatam a história de grandes personalidades muitas vezes tem uma personalidade um tanto quando generalizada ou nula para si. É o que acontece, por exemplo, com o narrador de O Grande Gatsby. Ele é uma testemunha e não precisa ser o motor principal da estória.